Adição
ÁREAS DE INTERVENÇÃO
A adição é caracterizada por comportamentos repetitivos e difíceis de controlar, que inicialmente podem trazer prazer ou alívio, mas acabam por gerar consequências negativas significativas na vida da pessoa.
Estes comportamentos podem envolver substâncias ou comportamentos socialmente aceites. A adição pode ser primária quando o comportamento é o problema central, ou secundária quando surge associada a outras perturbações psicológicas.
O que é?
Sintomas Comuns da Adição
É normal experienciar alguns destes sintomas ocasionalmente, isso não significa, por si só, que exista adição. Da mesma forma, quem vive com adição pode não manifestar todos estes sinais.
Sentimentos
Sensação de perda de controlo sobre o comportamento ou consumo
Angústia ou mal-estar quando não é possível repetir o comportamento
Irritabilidade, frustração ou ansiedade em situações de abstinência
Vergonha, culpa ou baixa auto-estima associadas ao comportamento
Alívio temporário seguido de um sentimento de vazio
Pensamentos
“Só mais uma vez não faz mal.”
“Eu consigo parar quando quiser.”
Preocupação constante em planear a próxima oportunidade de consumo
Distorção cognitiva → minimizar ou racionalizar os impactos negativos
Pensamentos obsessivos sobre o comportamento (jogo, compras, sexo, substância)
Crer que o comportamento é a única forma de lidar com stress ou dor emocional
Comportamentos
Repetição do comportamento de forma frequente ou prolongada
Dificuldade em parar ou reduzir, mesmo após tentativas falhadas
Mentir ou esconder hábitos de consumo ou comportamento
Negligenciar responsabilidades escolares, profissionais ou familiares
Procurar constantemente a substância ou oportunidade de repetir o comportamento
Isolamento social para manter o hábito em segredo
Sintomas Físicos
Aumento da tolerância → necessidade de doses maiores ou mais tempo de envolvimento.
Sintomas de abstinência (suores, tremores, irritabilidade, náuseas, dores de cabeça).
Alterações no sono (insónia ou hipersonia).
Alterações no apetite e peso.
Fadiga ou falta de energia.
Impactos na saúde geral: problemas gastrointestinais, cardiovasculares ou neurológicos.
Cada pessoa é única. O acompanhamento também.
Na COPE, oferecemos acompanhamento psicológico personalizado, adaptado ao seu percurso, ao seu ritmo e às suas necessidades.
Que tipos de adição existem?
A adição pode manifestar-se de diferentes formas:
Adições a substâncias: álcool, drogas ilícitas, medicamentos (ex.: benzodiazepinas, opioides).
Adições comportamentais: jogo patológico, compras compulsivas, uso excessivo da internet e redes sociais, dependência de videojogos.
Adições socialmente aceites: como o trabalho excessivo, o exercício físico compulsivo ou até a atividade sexual desregulada, que passam a ter impacto negativo na vida da pessoas.
Quais as causas e fatores de risco da adição?
O desenvolvimento de uma adição resulta da interação entre fatores biológicos, psicológicos e sociais. Entre os principais:
Histórico familiar de dependência: a predisposição genética, aliada ao ambiente familiar, aumenta o risco de desenvolver problemas de consumo.
Experiências adversas ou trauma na infância: abuso físico ou emocional, perda de cuidadores ou eventos traumáticos elevam a vulnerabilidade.
Stress significativo ou crónico: perdas, luto, conflitos familiares ou pressões profissionais intensas podem potenciar o comportamento aditivo.
Pressão social e acesso fácil: amigos ou colegas que consomem substâncias, ou a disponibilidade de álcool e drogas.
Profissões de alto risco: saúde, forças de segurança, direito e militares, devido a elevados níveis de stress.
Início precoce do consumo: quanto mais cedo começa o uso de substâncias, maior a probabilidade de dependência, já que o cérebro ainda está em desenvolvimento.
Saúde mental e doenças crónicas: ansiedade, depressão, TDAH (Transtorno do défice de atenção e hiperatividade) ou doenças físicas incapacitantes podem levar ao consumo como forma de automedicação.
A adição pode estar associada a outras perturbações?
Sim. A adição está frequentemente ligada a outras perturbações psicológicas, formando quadros de comorbilidade que tornam o diagnóstico e tratamento mais complexos:
Perturbações do humor: depressão, perturbação bipolar.
Perturbações de ansiedade: incluindo ansiedade generalizada e ataques de pânico.
Perturbações de personalidade: borderline, antissocial e outros quadros de impulsividade.
PHDA em adultos e quadros psicóticos, que podem coexistir com comportamentos aditivos.
Quando devo procurar ajuda para lidar com adição?
É importante procurar acompanhamento especializado quando:
O comportamento ou consumo começa a prejudicar a vida profissional, familiar ou social.
Há várias tentativas falhadas de parar ou reduzir.
Surgem sintomas físicos de abstinência ou aumento da tolerância.
A pessoa sente que perdeu o controlo.
A adição surge como forma de lidar com dor emocional, stress ou ansiedade.
Como pode a psicoterapia ajudar no tratamento à adição?
A psicoterapia é uma ferramenta essencial no tratamento das adições, porque não se foca apenas em eliminar o comportamento, mas em compreender a função que ele desempenha na vida da pessoa.
Através do processo terapêutico é possível:
Explorar a origem e função da adição: perceber se é uma forma de evitar sofrimento, procurar prazer ou regular emoções.
Substituir padrões destrutivos: desenvolver estratégias mais saudáveis e sustentáveis de lidar com stress e emoções dolorosas.
Trabalhar a motivação e resiliência: construir um processo de mudança sem culpa, mas com consciência e aceitação.
Reforçar a autoestima e os recursos internos: evitando recaídas e promovendo maior equilíbrio emocional.
Promover autonomia: ajudando a pessoa a recuperar prazer, propósito e sentido de vida sem depender da adição.